BMW X6M (F86).

BMW X6M (F86)

download(foto de divulgação)

Escutando uma vez , um grande amigo entendedor de carros contando sobre “supostos” pegas noturnas pelas ruas de grande cidade latino americana, ele contava sobre um dia que vários carros esportivos , BMW´s, Mercedes, Camaros e afins, foram colocar a honra para disputa. Dentre os possantes, tinha uma BMW X6M.  Ele disse que todos espectadores fizeram suas apostas, e ele foi o único que apostou na bruta. E, pra surpresa de todos, ela colocou todos no bolso.

Quando eu estava parado ao lado do carro, com a chave na mão para abrir a porta, lembrei-me disso… e pensei: vou ter que ver se isso é verdade.

Confesso que eu não tinha lá uma boa visão desse carro. Eu via nas ruas e pensava: “Não é carro estilo sedan, coupé. É mais alta, e pesada. Também não é boa pra off road. É 4×4, mas não tem todos os outros requisitos pra sair do asfalto. Não tem muito espaço… não serve como aquele SUV familiar também”. Afinal… se você comparar com um bicho, eu falaria que a X6 é um ornitorrinco. É tudo, mas não é nada.

Pior de tudo é a própria definição da BMW pro tipo de carro que ela é: “SAV”: Sports Activity Coupé. Peraí.. “Sports” até que vai, mas “Activity Coupé”…

Enfim, num mundo que se chama Duster de SUV, e Corola XRS de esportivo, eu nem ligo mais pra definição técnica dos carros.

2017-bmw-x6-interior-1(divulgação)

Mas, enquanto eu a observava de longe, fui curtindo mais o visual dela. Eu costumava ver a X6 nas ruas e não dar muito ibope. Entro nela, e já sinto aquela sensação de cockpit agradável, posição de dirigir gostosa e visão excelente. A vontade de ficar dentro do “ornitorrinco” tomou meu corpo em menos de 30 segundos. Bancos aconchegantes e com ótimos suportes laterais, um painel e consoles modernos e bonitos. Aliás, a cor dos bancos, um caramelo escuro, é muito bonita. A BMW chama de “Merino Aragon”, seja lá o que for isso. Só sei que gosto de tudo que foge do comum, com bom gosto claro. O painel é praticamente o mesmo da M6, mas o console central, tanto entre os bancos quanto no painel é maior e mais largo, mas não muito, não passa a impressão do tamanho e peso que o carro tem. Aliás, ela não aparenta os quase 5 metros de comprimento e anabolizados 2265kg! Tem tração integral, mas acima dos 180 km/h ela fica apenas com tração nas rodas traseiras. Os sapatinhos são aro 21, com enormes pneus traseiros 325/35.

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O espaço traseiro é bom, mas como de um sedan comum, mais pra 2 pessoas do que pra acomodar sua família indo pras férias de dezembro. Tá mais pra “dá pra levar a galera pra balada”. Só que rápido, caso você queira. Ou curtindo o passeio, caso você queira. Ou os dois, caso você queira. To começando a entender esse carro…

O motor dela é o mesmo das irmãs M5 e M6, 4.4 V8 biturbo, só que recalibrado para expressivos 575 cavalos e 76kg de torque! Mesmo assim, você pensa “ah, é pesada demais”. E ainda por cima, o câmbio não é o The Flash de dupla embreagem de 7 marchas, e sim um AT8. Mas que cumpre seu papel com muito louvor.

Sei lá que bruxaria fizeram nesse carro, só sei que ela anda demais! 0 a 100 km/h em baixos 4,2 segundos! Pega aquela lista dos esportivos que você conhece, e veja de quantos ela vai ganhar naquela arrancada no sinal. E a questão é que, o negócio não pára depois. Continua ganhando velocidade, e o ponteiro varre rápido o velocímetro, e os 200 km/h por hora  rapidinho estão ali. E vão passando, e vem os 210, 220, 230… Após meu momento de curtir o rodar e o interior, pensando nos litros de pódium necessários para dar voltinhas na cidade, toquei os botões mágicos de encapetar a criança e experimentei a força da X6M. Sua aceleração é bruta, e parece que de repente, você trocou de carro. Será que daí vem o “coupé” do nome que a BMW define ela? Deve ser. Na estrada, é divertido como qualquer retomada ou ultrapassagem se torna seu desejo imediato. O barulho andando no modo civil é mais baixo que das irmãs esportivas, mas pisando fundo ele é o mais encorpado e grosso. Ok, dá uma bela sensação de poder, confesso.

E, o efeito “carro da frente sai da frente quando chega na traseira” com ela é 3 vezes maior que com os outros carros. Com as outras M, alguns moxoristas (é, com “x” mesmo, igual “mexânicos”, nome dado aos mecânicos fajutos) parecem que tem prazer em não sair da frente as vezes… Na X6M, eles saem da sua frente na hora! Sim, pro brasileiro, tamanho é documento. Por isso esse amor pelos SUV´s e derivados no nosso mercado.

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Mantendo boas velocidades de cruzeiro, ela demonstra excelente capacidade de bem estar, com absorção das irregularidades, baixo nível de ruídos e sensação de segurança enorme. Se eu fosse viajar pra algum lugar que eu não conhecesse, eu ia preferir ela a M6 por exemplo, porque nosso asfalto ou falta de asfalto é cruel. Já entendi o “Sports” e o “Activity”, mas acho que vou ter que conversar com algum engenheiro alemão pra me explicar o “Coupé”, que vem da sigla “SAV”.

Acelerando em linha reta, ela é formidável. (Legal essa palavra, “formidável”, parece tirada de alguma dublagem de filme da sessão da tarde). Mas e nas curvas? E o comportamento dinâmico?

Bom, as leis da física aqui ainda valem. Apesar de um conjunto que nem de longe transparece o corpo dela de fisiculturista bombadão, ela em algum momento vai te lembrar que anda muito mais do que faz curva. E isso demanda cuidado. A direção não é tão visceral quanto num esportivo, do tipo “joga a frente e que se dane o resto”, e quando se vai exigindo numa curva, se sente aquela ligeira transferência de peso acontecendo. Mas, até isso acontecer, dá pra andar muito rápido, e francamente, 98% dos motoristas comuns vai passar longe de chegar nestes limites neste carro. Os freios são fortes e os  sistemas eletrônicos garantem toda e qualquer exagerada. Não desliguei eles, e confesso que, na M3 eu preferiria os ter desligado full time, mas nela eu deixaria ligado. Não ia querer dar um contra em 2265kg com 76kg de torque numa escapada de traseira não, melhor seguir o “teorema de Jaiminho” e evitar a fadiga. A proposta do carro e dos eventuais compradores também não é de se fazer drifts ou tempos matadores em track-day.

O que novamente me faz pensar numa bela viagem para alguma praia, com uma estrada com boas retas e curvas de alta, depois uma serra com necessidade de fazer mais ultrapassagens. No local do destino da viagem, passeios em praias, partes históricas com ruas de paralelepípedos e calçamentos, e ela consegue se encaixar bem em todas as partes, em todas situações em que se imagina o uso.

O visual definitivamente é muito chamativo, quebra mais pescoços que uma M3 por exemplo, que só quem gosta de esportivos conhece e admira. Mas a X6M é imponente e basicamente uma assinatura da ostentação atual. Sonho de consumo dos mais fortes de hoje em dia no meio automobilístico/mercado de luxo.

Eu, do meu lado , consegui tirar uma imagem que tinha não positiva do carro, fiquei surpreso com tamanha capacidade de desempenho, me senti muito bem dentro dela e passei a admirar pelas qualidades e pela versatilidade da X6M. Um carro inovador da BMW que merece todo respeito e criou um segmento de mercado. Palmas para o “ornitorrinco”!

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André ao Volante – Introdução e BMW M6 (F06).

Eu poderia iniciar esta página com várias e várias histórias minhas com carros. Mas eu sei que não chegaria nunca ao começo da primeira avaliação, motivo deste blog, antes dos 80 anos de idade, até conseguir contar tudo que já passei. Poderia contar que quando eu tinha 6 anos de idade, meu sensato pai me colocava no colo quando ele dirigia, e, com alguns passageiros a bordo, sadicamente soltava o volante e falava “vamos ver se ele consegue fazer a curva”. Ele já sabia que eu conseguiria, mas se divertia com os berros dos pobres ocupantes desesperados com aquele moleque de cabelos pretinhos segurando o volante e sorrindo enquanto fazia uma curva na Avenida Cristiano Machado, em BH. Poderia também contar que aos 12, aprendi a dirigir em definitivo numa estrada de terra indo para um sitio com o velho para plantar arvores (Acho que agora só me falta o filho, e escrever um livro), e que os calos nas mãos das enxadadas  durante o domingo de sol valiam os 5 minutos dirigindo na estrada de terra.  A parte de ter 14 anos de idade e pegar o carro escondido da mãe, para andar igual doido pela Pampulha, essa eu pulo. Aos 15 anos de idade buscava minha irmã de 17 nas festas. Eu ia e voltava do destino como um táxi, ou um Úber, sem me envolver em corridas de rua proibidas ou algo assim, por incrível que pareça. Só sei que com 17 eu já era o motorista oficial das idas à Serra do Cipó, num belo Uno EP verde, que eu fazia de carro de rally nas estradinhas de terra. Com 19 eu tive minha primeira paixão automobilística. Seguida pela maior tristeza, quando eu fui entregar meu primeiro carro turbo ao futuro dono. Dia esse que, se fosse relatar os minutos finais com o carro, o texto seria digno do próximo Velozes e Furiosos, sequência 15 provalvelmente. (Estamos na 10 eu acho).

Paro com as histórias por aqui, senão ficaria apenas relembrando as boas aventuras.

Prefiro continuar assim: Minha primeira palavra foi “carro”. Definitivamente, não sou um ser humano normal, eu sei.

Lembro bem da primeira vez que trabalhei como instrutor. Papai do céu um dia sorriu pra minha vida, e através de hoje um grande amigo, abriu as portas para o primeiro trabalho remunerado envolvendo a direção e conhecimentos de carros. Estava eu sentado ao volante, contemplando a pista, e pensando comigo: “Hoje é o dia mais importante da minha vida”.

Assim começa um pouco a história do “André ao Volante”. Falando de carros e da vida, da vida e de carros, e de todo o restinho das coisas que restam.

E começo já em alto nível, com um desejo de consumo pessoal que tive a chance de conhecer um pouco. Vamos lá:

 

BMW M6 Gran Coupé (F06): 4.4 V8 Biturbo, de 560cv (entre 6k e 7k RPM) e 69,3 kilinhos de torque. Força essa passada para as rodas traseiras apenas, por meio de uma caixa de dupla embreagem  (chamada “M DKG”). “DKG” no caso, vem do Alemão “Doppelkupplung”. Nome bonito pra colocar no seu Rottweiller de estimação. A série 6 da BMW existe desde os anos 80, já naquela época com modelos belíssimos, e motores 6 em linha que são marca registrada da marca. Estas linhas atuais surgiram na série 6 em 2005 (E63/E64), e na versão “M” vinha com o sensacional V10 5.0 de 507 que equipava a M5 E60 também (carro este que dirigi na época, e ainda tenho boas lembranças). Esta carroceria novíssima surgiu em 2012, agora com o nome “Gran Coupé”. Eu já achava a antiga bonita, mas essa… hum… me agrada aos olhos de uma forma diferenciada.

Entusiasta e apaixonado por carros desde sempre, purista dos motores aspirados, punta-taccos em toda redução de marcha e carros sem controles eletrônicos, supostamente, eu não deveria gostar das “barcas” estilo Titanic navegando na rodovia. Mas eu curto demais! O visual dela é muito imponente, com suas linhas baixas, mas fluídas, e compridas. Lindas rodas aro 20, sistema de 4 escapes, faróis full led com belas entradas de ar, finalizam o visual marcante.  O interior trás a essência do  2+2, com amplo espaço para passageiros nos bancos da frente e de trás. Talvez os mais altinhos sintam a cabeça chegar perto do teto no banco traseiro. Sentado ao volante, reparo na quantidade de comandos eletronicos. Francamente, para se descobrir todas funcionalidades do carro, eu precisaria ficar com ele 1 mês só fuçando nos botões igual menino pequeno.

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Resumindo, o Idrive dá um pau no seu, no meu e em qualquer smartphone por aí. Parece que dá pra regular o carro para ele virar um food-truck se você quiser. Enfim… acho incrível, alguns gostam bem dessa parte de tecnologia, mas vamos ao que interessa: Pilotar a nave.  O barulho do V8 é grosso, não muito alto quando se liga o carro, mas marca presença. Um toque na alavanca do câmbiopra direita, e o “drive” é selecionado. Coloco o carro em movimento. O volante tem pegada de carro de pista, a altura do banco é perfeito, e na frente o “head up display” me mostra a velocidade no para-brisa. Bem útil alias, no nosso querido Brasil cravejado de caça niqueis chamados de “radar”. A troca das marchas é perfeita e a sensibilidade humana não consegue identificar atrasos ou trancos. O carro desenvolve suave, até que… com a tecla “M1” no volante configurada para os modos “super sport” acionados, que coloca as configurações de volante, suspensão e motor esportivas ao máximo, dou duas chamadas na borboleta da esquerda e afundo o pé no acelerador.  O estampido do câmbio junto com o soco nas costas, e a brutal aceleração é simplesmente incrível! Ver o contagiros comendo a faixa dos 8k rpm, enquanto a velocidade sobe igual velocímetro digital de superbike, também. As marchas são engolidas e logo logo os 200 km/h chegam! Veja nesse vídeo a aceleração:

Um pouco de trânsito à frente e um pouco de juízo também, tiro o pé. Mais um pouco de pista livre, flat no acelerador, e o fôlego insano de aceleração se mantém em todas marchas, mesmo já passando dos 200 km por hora. O barulho tende a ficar mais agudo nos giros mais altos e é simplesmente viciante!  Saindo de uma entrada lateral a estrada, em primeira marcha num ligeiro aclive, vejo as luzes de todos controles de tração e estabilidade acesas freneticamente enquanto exijo tudo do motor, que não consegue passar tamanha potência para as rodas. Se não fossem os controles, estas girariam em falso por vários metros, deixando uma assinatura bonita no asfalto de pneu queimado.  A M6 aliás é isso: uma engolidora de pista. Feita para andar em altíssimas velocidades, numa boa. Além da não impressão de estar em alta velocidade, se tem total sentimento de segurança e solidez na rodagem. Uma curva generosa, 3 pistas, raio longo, entro e acelero, até que no meio da curva atinjo os 200 km/h  novamente. Alguns sobressaltos no asfalto, os 1950kg simulam uma saída pro lado que eu não quero, uma consertada aqui, e pronto, ela segue devorando tudo. Carros à frente tendem a querer sair rápido da frente ao ver chegar a bela máquina alemã, que é uma fera. Aliás, adoro isso. Nada mais chato que motoristas na faixa da esquerda na estrada a 84 km/h se sentindo o rei da pista. Viajar neste carro te instiga a pelo menos manter velocidades de cruzeiro altas, qualquer coisa fora disso parece que você está segurando o Rottweiller “Doppelkupplung” na coleira! É muita potência e força querendo ser liberadas. Um total espetáculo de automóvel.

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Voltando a cidade, uma surpresa: como é suave de dirigir no trânsito! A vontade é de dirigir livremente, indo pra qualquer lugar, só pra não sair do carro. Mesmo no trânsito.  Sair do carro talvez apenas para dar uma olhada na sua beleza, mas logo, procurar alguns quilômetros de pista para ser devorado. Se olhando por fotos e lendo os dados ela me instigava, agora a M6 Gran Coupé deixou uma marca forte no meu pensamento. Um carro que reúne todo requinte e esportividade da BMW, mas vai além com um design imponente e sensações incríveis ao volante. Definitivamente um dos desejos de consumo automobilísticos de mais alto nível hoje em dia!

Até a próxima acelerada, onde falarei da lenda M3!

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