Viagem ao passado pelas estradas do País – a realidade passada do nosso presente.

 

Alguns dias atrás tive uma missão dada, de ir ao estado do Holly Espirit, buscar certa gema de ovo alemã sobre rodas turbinada. Não lembro o dia ao certo, mas foi na fatídica semana do dia 20 e poucos de dezembro, semana do natal. Como não existiam voos disponíveis para meu destino, lá me vou pegar um ônibus de viagem. Meu Deus… Quanto tempo não andava num negócio desse! Imediatamente me veio à cabeça os ônibus “flecha” da viação Cometa, e os Gontijo antigos. Eu era bem novo, mas, já ficava encantado com aquelas coisas muito grandes que levavam gente sobre rodas. Terminal rodoviário lotado, cheio de belas moçoilas, mas infelizmente nenhuma entrou no meu bus. Tudo bem,  pelo menos não ia ter ninguém a me incomodar sentando do meu lado, pensei. “Vou aproveitar e descansar para a viagem de amanhã”. Só que não, como diria Murphy. Eis que no fechar das cortinas, ou portas, entra um sujeito, que pra resumir, falou toda a história da vida dele até o tataravô do seu pai, e depois entrou em coma, ficando igual um boneco de posto , dormindo no banco ao meu lado, balançando pra lá e pra cá. Antigamente, isso iria me incomodar, mas, abstraí. O sujeito desceu no meio do trajeto, e aí pude curtir mais a viagem.

Homens, fica a dica: se entrar num ônibus vazio, NÃO sente ao lado de um cara se existirem 298 poltronas vazias. Isso é tipo parar do lado do seu mictório no banheiro da balada quando só tem você no banheiro. Essa é uma lei do universo e deve ser respeitada.

A estrada me causa receio. Simplesmente uma das que mais mata no Brasil, quiçá no mundo, já que somos penta-deca-tri-tetra campeões de mortes no trânsito. Observando pela janela, pude ver dezenas de radares no meio da estrada a 60 km/h! Não acho que resolvam muita coisa, pois o perigo da estrada é a pista simples, e a quantidade de curvas em subidas e descidas fortes, onde carros conseguem andar a 120 km/h mas caminhões andam a 10 km/h, ou, as fortes descidas que constantemente ônibus e caminhões perdem o controle do freio. Pensei comigo, ficar esperto porque na volta, vindo a 120 km/h, fica até difícil frear se deparar com um desses radares de 60 km/h numa dessas curvas fechadas da BR 262, estrada que liga as Minas Gerais ao Espirito Santo. Esse tipo de estrada inverte a ordem natural dos veículos na viagem, que normalmente é: carros mais rápidos que todos, ônibus mais devagar que carros mas mais rápidos que caminhões, caminhões mais lentos que todos, quanto maior e mais pesado, mais pra trás.

Mas não: O ônibus passava carros na curva e na subida, caminhão passava o ônibus na descida, dando “VDO” no tacógrafo, motos passavam o ônibus pela direita… E assim seguia a suruba pseudo-organizada automotiva dos motoristas brasileiros e suas carroças, como já diria o Fernando. No percurso, a viagem toma uma rota por cidades do interior do estado capixaba, saindo da BR 262. Mesmo sem o camarada ao lado, tirar uma soneca ficou difícil: a quantidade de buracos e imperfeições na pista transforma a grande carroceria do coletivo num pula-pula sobre rodas. Quando eu conseguia achar uma posição pro meu corpinho de 1.86m repousar, vinha um solavanco e me despertava. Desisti de dormir, amanhã me viro no café e Red Bull, e tudo certo. A cada cidade que passávamos, uma pequena parte dos tripulantes descia do ônibus, bem no meio da madrugada, pois a viagem teve inicio às 22h00min. Reparei na família que estava a minha frente nos bancos, uma mãe, um garoto de uns oito anos e uma adolescente de uns 14. Na saída de BH, tivemos de parar o ônibus, pois um deles havia ficado pra trás. E pra minha surpresa… tinha sido a mãe! Foi engraçado ver os dois garotos falando “cadê a mamãe???”. Depois da terceira indagação, eu intervi e perguntei “a mãe de vocês está no banheiro? Porque se não estiver ela perdeu o embarque!” A cara de paisagem deles me fez gritar ao motorista pra parar na hora! Lá vem a mãe esbaforida correndo e entra… ufa, imagina estes dois viajando sozinhos… A garota me agradeceu, difícil ver adolescente educado hoje em dia, e nesse ponto a mãe atrasada tem seu mérito. Há uns 15 minutos antes de eles chegarem a cidade que iam descer, ligaram pro pai avisando que estavam chegando, para ele buscar. Era 3 da madrugada quando o ônibus estacionou na pequena rodoviária, e o pai não estava lá. Foram os três caminhando por uma rua escura carregando malas. “Estes meninos vão ter problemas na vida”, pensei comigo. A mãe fica pra trás no embarque do ônibus e o pai esquece de buscar eles na chegada na cidade as 3 da manhã! Orei pra Deus os guardar – Salmos 27:10 “Porque, quando meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me recolherá”.

Mais alguns viventes desceram no meio do nada, no meio da noite, no meio da escuridão, e eu observava pela janela, além das estrelas numa noite de céu limpo, pensando que cada um tem sua vida, sua luta, sua história, nessa viagem estranha chamada vida, nesse lugar esquisito chamado terra. Bônus por estar no Brasil. O país onde o poste é que mija no cachorro.

Já pela manhã, chego ao destino, absurdas 10 horas após a saída de Belo Horizonte, para percorrer apenas 510 quilômetros. Tudo devido à péssima situação das estradas, de pista simples, mal planejada, cheia de curvas, com poucos pontos para ultrapassar, e mal conservada. Um preço muito alto que pagamos nos impostos, combustíveis e passagens, para não ter o mínimo necessário para uma viagem mais segura e confortável.

Murphy dessa vez fez o inverso, e meu contato já me esperava na rodoviária da cidade. Ainda bem, pois eu estava cansado da madrugada que passei em claro. Após as devidas conversas e resoluções básicas legais, tomo o rumo de volta, já por volta de umas 11h00min da manhã. Havia caído uma barreira por causa das fortes chuvas, e não pude pegar a estrada principal desde o principio. O trajeto foi desviado para pequenas cidades em estradas secundárias, que até estavam bem conservadas, mas sofriam do mesmo mal: pista simples e pouco espaço para ultrapassagens. Eu havia decidido fazer a viagem de forma tranquila, e a potência do carro permitia fazer as ultrapassagens quando dava de forma rápida e segura. Detalhe para a parada do almoço na cidade de Venda Nova no estado do Espirito Santo, onde tem um restaurante que só usa produtos naturais e orgânicos excelente! Esqueci o nome, mas é algum trocadilho com um nome em inglês, a cidade é pequena, não deve ser difícil achar, se passar por lá, coma lá porque é muito bom e barato. Essa foto aqui é do local, muito bonito por sinal (Reparou no trator antigo ao fundo da foto? Dá até pra fazer foto de book de casamento ali).

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Finalmente chego a BR 262, estrada que leva direto pro meu destino. O volume de carros já era grande, e a tal da situação da pista simples, carros lentos e poucos pontos pra ultrapassar se repetia. O mais interessante é que, quando chegava a pontos com a terceira faixa, que serve para que o fluxo não trave naqueles caminhões lentos em subidas fortes, o seguinte acontecia: os caminhões a  15 km/h abriam pra passar os que estavam a 8,9 km/h. Aí ia aquela coisa lenta… devagar quase parando, e a fila de carro atrás, sem muito o que fazer. De repente acabava a faixa auxiliar, e ninguém passava ninguém. Quando não tinha caminhões, todos os carros iam pra faixa de ultrapassagem, para não deixar o carro de trás passar ele. Lá na frente algum feliz brasileiro no seu carro 1.0, com seis ocupantes mais o cachorro, cheio de malas, pneus que não são calibrados desde o carnaval de 2015, ia à frente, sem se dar o trabalho de reduzir marcha para pelo menos aproveitar o que o motorzinho pode oferecer. De novo, ninguém passava ninguém, acabava a faixa, e a mesma fila continuava. Brasileiro realmente prefere se dar mal junto, só para não ver o outro se dar melhor. Se os mais lentos dessem passagem aos carros mais potentes, a fila desfazia e a viagem ficava melhor pra todo mundo. Mas não… é proibido agir de forma sensata nesse país.

Eu estava tranquilo, pois sabia que não adiantava querer passar todo mundo ou correr muito, por causa dos radares e policiais da PRF brincando de pique-esconde, e o risco de ficar preso atrás de algum caminhão muito lento logo a frente. Mas uma coisa estava me incomodando: eu não consegui conectar o celular no som do carro, e fui obrigado a vir escutando rádio. Escutar rádio vindo do ES pra MG significa aprender uma coisa: só toca Sertanejo. Em TODAS as rádios. Eu basicamente vim escutando “Marília Mendonça”, “Maiara e Maraisa” e “Simone e Simaria” a viagem toda! No posto, quando o frentista veio perguntar se o pagamento era cartão ou crédito, eu por instinto falei “toma aqui uns cinquenta reais”…

A cara de desaprovação do honesto trabalhador me deixou sem graça. O que aconteceu com a música sertaneja que era tão boa pra viagem? Antigamente era o matuto falando das maravilhas do sertão, de quando ele viajou pra Aparecida do Taboado em Mato Grosso e ficou 60 dias apaixonado por uma morena, do fio de cabelo no paletó, de madrugada a passarada fazendo alvorada, vendo a chalana que de longe se vai, escutando o sabiá cantando no jequitibá, enquanto o menino da porteira pede pro seu moço tocar um berrante, que acorda, pega a viola e vai viajar? Me desculpem o saudosismo, mas, é que a viola fala alto no meu peito humano. Hoje em dia as músicas “sertanejas” é um tal de fulano querer mostrar pra ciclano que ele é melhor e que ele não liga pra nada se terminar e ele vai pra balada ostentar bebendo vodka com energético, ou qualquer coisa parecida. E esse tema nem pode ser considerado pioneiro ou inovador, afinal a maior música da nossa história já dizia: “E nessa loucura de dizer que não te quero”. E se resolvia tudo na boate azul com a flor da noite, curando um amor com outro amor. Aliás, pessoa não muito comum que sou, enquanto escrevo escuto Jonnhy Cash, The White Stripes, Pearl Jam e Sepultura. (Sim, eu escuto música enquanto escrevo, nem eu entendo como, mas funciona. E com fone de ouvido).

Mas eu fui curtindo a paisagem, a viagem, a vida, por que eu sempre olho tudo pelo lado positivo, e tento não reclamar. Existe sempre o lado bom. Observava as montanhas com a vegetação verdinha das ultimas chuvas, e lembrei-me das inúmeras viagens que fiz para as praias capixabas, com família e amigos, tempo bom que ficou pra trás na lembrança. Obrigado ao Espírito Santo por tudo que já fez ao povo mineiro, a gente não te esquece jamais.

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De qualquer jeito, a viagem me custou 7 horas e meia, no trajeto de 510 quilômetros. No meio do trajeto teve de tudo, por três vezes veículos da POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL fazendo ultrapassagem proibida em faixa continua me obrigaram a jogar o carro pro acostamento três vezes para não bater de frente com a viatura!!! Na divisa do ES pra MG, o asfalto mudou drasticamente de qualidade e ficou muito pior. O carro de rodas aro 17 e pneus de perfil baixo sentia os impactos, e eu nem ligava mais de ir tão devagar seguindo o fluxo. Eu tava no fluxo, só não avistei nenhuma novinha no grau. Ah é, esqueci, no rádio tocava funk também.

Para comparar, fiz uma viagem a São Paulo pela BR-381, toda duplicada. Em carro com bom motor seis em linha e ótima estabilidade, fui apenas mantendo uma boa velocidade, e fiz o trajeto de 600 quilômetros em 5 horas e 45 minutos, com consumo de 12,5 km/l, mesmo no 6 caneco tração traseira de 1.500kg. Nesta viagem aqui, por tanto andar devagar e ter de fazer diversas retomadas, sem falar dos sinais e quebra molas ao passar pelas cidades, o consumo foi de 9,5 km/l, num excelente 2.0 turbo quatro cilindros, muito eficiente e que poderia fazer fácil uns 13-14 km/l no ritmo que vim.

Um desperdício, e um retrocesso. A estrada, e o comportamento dos motoristas me transportou imediatamente para um tempo distante, onde parece que não existiam soluções melhores de infra estrutura, e que a educação e civilidade das pessoas não era um ponto a ser debatido por ninguém. A viagem foi nos dias de hoje, na última semana do ano de 2016 que com certeza marcou a vida de muita gente, mas ela acabou me mostrando a triste realidade do passado que vivemos no presente, e que nós não nos damos conta. Seguimos o fluxo, preocupados apenas com a nossa vida, nossas necessidades, sem pensar no outro, e como podemos melhorar como pessoas, cidadãos, e como nação. A melhor definição de sucesso é ter suas ações e atitudes no presente, não repetindo os erros do passado, e buscando sempre um futuro melhor. Que Deus abençoe o Brasil nessa longa caminhada.

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Fiat Mobi – O Trump Brasileiro

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Esse texto era pra ser sobre o Fiat Mobi. Mas, quanto mais eu leio a respeito sobre ele nos sites e blogs de maior visualização, não consigo ficar indiferente à pobreza e total parcialidade das reportagens. O que não é novidade, para mim hoje mídia em geral é um lixo voltado apenas para defender interesses comerciais, tanto na televisão quanto impressa.

Eu tive contato com o carro por 5 dias seguidos, sendo instrutor no treinamento para grande rede de concessionarias. Dirigi ele bastante, andei de carona em todos outros bancos e ouvi centenas de opiniões. Opiniões de quem não havia lido ainda estas reportagens.

E adivinha? 99% destas opiniões incluindo a minha, são absolutamente contrárias às opiniões das pessoas comuns que comentam nas reportagens sem nem ter visto o carro direito, com um ódio no coração contra o coitado carrinho inexplicável. Ou, explicável, como mostro:

Sei que agora, muitos dos haters de teclado já devem estar pensando, “ah, o cara é fan boy de Fiat”. Não, não sou, de marca nenhuma, admiro carros e a verdade, e apenas.

Pensem comigo, e se coloquem no lugar como se fosse sobre o seu carro ok?

Na reportagem da 4 Rodas, o título sobre o Mobi é assim:

“Sou o Fiat Mobi, mas pode me chamar de Uninho…”. Oi? Como assim?

E a justificativa é algo tipo: “Pegue um Fiat Uno, corte aqui e ali e voilá, nasce um modelo novo!”.

Você tem um carro da Volkswagen? Um Audi? Um BMW? Um Ford? Um Volvo? Um GM? UM PSA?

Qualquer carro feito de 10 anos pra cá???

TODOS os veículos feitos hoje em dia derivam de plataformas compartilhadas! Até entre fabricantes diferentes!

Que tal falarmos assim: “Oi, eu sou o Ecosport mas pode me chamar de Fiestão”. “Oi, eu sou o Audi Q5, mas pode de chamar de Golfão.” “Oi, eu sou o HRV, mas pode me chamar de Fit altinho”. Eu poderia ficar aqui tecendo linhas e linhas sobre pegar um modelo e comparar ele com algum outro veiculo da mesma marca e mesma plataforma, de forma pejorativa.

E depois a reportagem continua “justificando”: “Toda a mecânica é praticamente a do Uno”.

De novo: Qual carro hoje em dia não tem a mecânica compartilhada? E aí a reportagem emenda que “as medidas são praticamente iguais de um Chery QQ, que tem outra semelhança com o modelo Chinês, a tampa de vidro traseira”. Obviamente o Chery QQ é um carro de imagem ruim no nosso mercado, assim como maioria dos carros Chineses que não tiveram sucesso por aqui. De novo, pensa se uma reportagem pegasse o seu carro, falasse de uma forma pejorativa sobre ele compartilhar plataforma e powertrain com outro carro e logo em seguida comparasse ele com o pior carro Chinês vendido aqui?

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E aí? Você obviamente não iria gostar! Sempre que eu falo alguma informação verdadeira sobre o carro de alguém, que não o agrada, a pessoa imediatamente argumenta alguma coisa, mesmo sendo uma coisa simples, mas é natural a “defesa” do carro de sua escolha. E depois de alguns dados, a reportagem da 4rodas finaliza assim: “Não espere que o Mobi seja o carro mais barato do Brasil – esse não é o objetivo da marca. A Fiat não pretende ser lembrada por esse motivo.” Só que ele sim é o mais barato.

E novamente compara o valor dele com quem? Com carros chineses um pouco mais caros, e que em outubro um dos modelos comparados vendeu nove unidades! Não tem lógica comparar o valor dele com um carro que vende menos que um Camaro. Sobre a versão de entrada do carro a revista se refere assim: “A configuração mais barata do hatch é, naturalmente, a menos equipada – oferece pouco além dos assentos, rodas, motor e câmbio”. O carro vem de série com air bag duplo e ABS, lane change, bancos bipartidos e com regulagem de encosto, “ESS”, sistema de alerta de frenagem de emergência, dentre outras coisas.

E aí? Tendenciosa ou não a matéria? Qual a imagem de quem não conhece o carro vai formar lendo ela?

Outro site mente sobre a capacidade do porta malas, para menos, e ainda diz que “não é possível colocar 3 adultos no banco de trás”.

Bom, nesses 5 dias de trabalho que andamos em 5 pessoas várias vezes no carro, então tinha uns alienígenas ou sei lá o que comigo no banco de trás né? E claro, o clichê de falar que o “espaço no banco de trás fica reduzido” em várias destas reportagens. São os mesmos “jênios” que falam que um “motor V8 tem o consumo prejudicado” e um “motor turbo tem pouca força em giro baixo”.

Seguro a vontade de falar um palavrão aqui… Quem tem algum bom senso entende do que estou falando. É triste saber que é esse nível de informação que a maioria das pessoas, que vão gastar seu rico dinheiro num carro que custa 10x mais caro que num país menos estuprativo nos impostos e custo de vida, tem a sua disposição para poder decidir. Isso resulta num mercado cheio de carros extremamente caros e de baixa qualidade, carros melhores e mais baratos que não vendem, e por aí vai. E não, não estou defendendo o Mobi e não fiz isso em nenhum momento, apesar de que muitos já estão com esse pensamento totalmente equivocado na cabeça, de que para se falar a verdade sobre uma questão, necessariamente estamos defendendo um lado ou outro (percebe alguma semelhança com a politica do mundo atual?).

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Sobre o carro:

Pelas fotos eu tinha achado bem feio. Ao vivo, melhorou. Depois de um tempo, se acostuma e acredito que alguns vão gostar, outros não. Eu consegui ver uma harmonia no desenho, da mesma forma que o Up!, que é mais para ser funcional do que ser um primor em estética. A frente lembra do Fiat Freemont e Dodge Journey, a forma de se colocar os vincos e linhas do capô e para-lamas dão um ar de maior tamanho ao carro. A traseira tem uma tampa de vidro, ah, igual o Chery QQ como diz a 4rodas, claro, e também como o do Up! vendido no mercado Europeu, e que segundo a Fiat é mais leve, mais resistente e de reparo mais barato. Não duvido.

O banco da frente é um ponto positivo, na minha opinião. Ele é grande e o apoio de cabeça é inteiriço com o banco. Algumas pessoas disseram que não gostaram por ficar sem visão no banco de trás, pela falta daquele espaço entre o encosto de cabeça e o banco que no Mobi não existe. Concordo, mas, se ganha de um lado e perde por outro.

O interior tem vários porta objetos, e vem carregado de “desing”, nos moldes e linhas do painel e consoles dianteiros, onde se tem 4 boas saídas de ar. De novo, uns vão curtir, outros não. O Up! por exemplo é bem enxuto, e tem partes da lataria a mostra, que geram algumas críticas. Vai do gosto. O material utilizado não dá impressão de baixa qualidade no visual, e no toque, bom, eu não fico passando o dedo no painel, mas é de material que não vai descascar ou arranhar fácil, e ele apresenta um tipo de textura agradável aos olhos.

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O painel de instrumentos tem o velocímetro com as marcações ocupando a parte de cima toda, diferente do que se tem costume de ter um lado velocímetro e outro conta giros, com uma tela LCD de 3,5 polegadas ao centro, onde se informa temperatura, nível de combustível dentre outras coisas, de boa visualização e que eu curti bastante. Nos modelos com computador de bordo, é ali onde se pode ver as outras informações como consumo instantâneo, hodômetro parcial e demais. Eu não gosto deste tipo de painel, mas no caso aqui, acho que é pelo espaço reduzido que se optou por esta configuração. Nos modelos com conta-giros, este fica a esquerda, também apenas a marcação dos números com o ponteiro, sem aquele círculo completo. O volante tem um raio um pouco grande mas a espessura é boa, e se tem bom encaixe com as mãos. No geral a posição de dirigir é ok, com ponto positivo para os bancos e volante.

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Os bancos traseiros são sempre bipartidos e oferecem uma regulagem no encosto, para se poder ganha mais ou menos espaço no porta malas de 235 litros, que é pequeno mas pela forma de abertura da tampa, é de fácil acomodação de bagagens. Esta regulagem do banco ajuda muito, pois o entre-eixos curto de 2,30, não deixa muito espaço para os ocupantes, mas, igual um coração de mãe, cabe todo mundo. Detalhe para as portas traseiras que tem grande grau de abertura para facilitar a entrada. A verdade é que, se os ocupantes não passarem muito de 1,75m e não forem “fortinhos”, é razoável a acomodação. Eu tenho 1,85 e 90kg mantidos a base de batata doce e peito de frango, e mesmo no banco de trás, me surpreendi por conseguir ficar acomodado melhor que imaginava. Confortável igual o banco de trás de um Jaguar? Não, mas cabe a minha cabeça sem encostar no teto (coisa que em vários carros de hoje em dia de outras categorias acontece) e o espaço para as pernas vai da regulagem do passageiro do banco da frente. Se for 3 adultos mais altos e encorpados, realmente fica bem apertado atrás. Agora, maioria dos carros hoje é feito para 2 passageiros atrás e 3 adultos grandes não ficam muito bem acomodados também não, sejamos sinceros.

Então no quesito espaço para os ocupantes, ele cumpre sua proposta, com boa acomodação para os dois da frente, e caso tenha passageiros atrás é possível de serem acomodados, sem muito espaço, mas de forma absolutamente razoável. Se você precisa de um carro com bom espaço atrás, simples, não compre um carro de proposta urbana para pequenos deslocamentos como o Mobi.

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O carro foi lançado com o antigo motor FIRE, de 73/75 cv a 6.250 RPM e e 9,5/9,9 kgfm de torque a 3.850 RPM com 12,15:1 de taxa de compressão. O Mobi Easy, modelo de entrada, tem várias características diferentes dos demais, visando o menor custo. Ele é o mais leve, com baixos 907kg, enquanto que os outros possuem pouca coisa a mais, chegando a 966kg no modelo Way On. Isso garante uma relação peso x potência na média de 12 kg/cv e peso x torque de 90 kg/kgfm. A aceleração no 0 a 100 km/h fica em 13,4s no Easy e 13,8s nos demais, e velocidade final de 154 km/h no Easy e 152 km/h nos modelos pseudo-aventureiros Way. Os discos de freios também são menores no Easy, 240mm x 257mm dos outros, e os pneus são aro 13 de medidas 165/70, e aro 14 de 175/65 nos outros. Os freios traseiros são a tambor de 185mm. Estou citando estas diferenças pois acredito que o apelo do valor mais baixo no modelo de entrada é uma das coisas que mais chama a atenção no mercado. O câmbio tem a alavanca bem posicionada, e próximo à mão, aliás, tudo no carro é “próximo” né, e os engates são mais curtos que de costume do câmbio Fiat, melhores na minha opinião. Este motor fica para trás em relação aos 1.0 atuais do mercado, mas andando sozinho, o baixo peso deixa a condução sem maiores problemas. O carro desenvolve bem, não é fraco e se tem necessidade de chamar marcha toda hora. Tem outros modelos 1.0 que dirigi que apesar de um motor 3 cilindros forte em alta, em giro baixo sofre em subidas. Agora, se você colocar passageiros a mais, aí a coisa começa a mudar bem, e o conjunto fica subdimensionado para a situação. Daí vem os números de consumo, de 8,4 km/l na cidade e 9,2 na estrada, não muito bons como poderiam ser, caso ele tivesse o motor Firefly 3 cilindros.

E a prova disso é que o Fiat lançou o modelo Mobi Drive com este motor, e ele atingiu esta incrível marca de consumo aqui:

27,1 km/l! Eu realmente não consigo entender o porque de não lançar esse carro já com esse motor em todas versões! Não consigo entender essa politica da Fiat de lançar carros com motores ultrapassados, vem aquela chuva de críticas, e com razão, e depois ela coloca um motor melhor. Parece aquele jogador de truco que está com o “zap” na mão e fica segurando até o fim, e perde a rodada. No Bravo e Punto, existia o bom para a época Tjet e os Multiair, mas não, ela foi de E-torq. No Renegade e Toro dessa vez havia a opção dos Tigershark, mas não, E-torq de novo, para depois colocar o 2.0 TS no Compass e o bom 2.4 na Toro.

Pessoal do planejamento da Fiat, se quiserem bater um papo, estou super aí para vocês ok? #tmj.

Voltando a falar sobre o carro, eu cheguei a uma rotatória, que eu quase não gosto de fazer né, e decidi ver a qualidade dinâmica do pequeno. Entrei com mais vontade, jogando bem a frente para não correr o risco de dar um beijo forçado no guardrail, e aí uma surpresa: ele tem bom comportamento e estabilidade! A frente atende o comando do volante de forma direto e não há balanço da carroceria, possibilitando fazer curvas de maneira segura e até com mais atitude. Fiz isso mais algumas vezes, e fui curtindo muito essa situação. Que coisa, o Mobi é divertido para se faze curvas. Minha cabeça de piloto maluco já imagina um modelo com o motor novo e algumas maldades, e o tanto de susto que eu passaria nos outros carros na rua, um lobo em pele de bebê cordeiro.

Na época do treinamento, foi unanimidade entre os vendedores e gerentes de concessionarias que o modelo seria competitivo se lançado com um valor abaixo de R$ 30 mil reais, que fosse R$ 29.900,00. Mas o valor de lançamento foi de R$ 31.900,00 em abril deste ano, e seguindo a tendência de alta, hoje custa R$ 32.380,00 o modelo de entrada, e R$ 36.340,00 o Easy On com ar e direção. A versão Like, que vem com ar condicionado, vidros elétricos e direção hidráulica e mais alguns itens parte de R$ 38.470,00, e a verão mais cara “Way On” chega a altos R$ 44.460,00. Preços estes de pedida, sendo que na hora da negociação pode se obter algum desconto.

O VW Up! parte de R$ 35.190,00, e chega a insanos R$ 54.147,00 na versão iMotion ainda com o motor 1.0 aspirado! Os concorrentes 1.0 “maiores” variam de R$ 39.900,00 (Ka), R$ 41.665,00 (HB20), R$ 34.985,00 (Clio) e o líder Onix Joy de R$ 39.590,00. O próprio Uno mesmo começa nos R$ 41.840,00. A versão Drive, equipada com o bom motor da família GSE chamado “Firefly”, com o tricilíndrico de seis válvulas que entrega 77/72 cv e 10,9/10,4 mkgf a 3.250 rpm quando abastecido com etanol/gasolina, ainda  não tem valor estipulado.

Conclusão: o apelo do carro é a mobilidade urbana e modernidade. Ele cumpre o que se propõe, com boas opções de acessórios e configurações, mas ele poderia ter um valor ainda mais baixo. Se fosse lançado com o Firefly seria na minha opinião uma excelente relação custo x benefício. Mas, olhando os valores da concorrência, as versões de entrada são sim boa opção. Para quem precisa de carro exclusivamente de deslocamento na cidade de custo baixo, o Mobi aparece como ótima opção. Apesar da chuva de criticas pesadas sobre ele, hoje é o décimo carro mais vendido no Brasil, com mais de 3.000 unidades por mês. Acredito que se posicionarem a nova versão com valor competitivo e estenderem a nova motorização ao resto da linha, ele pode sonhar em dar a volta por cima com melhores números de vendas.

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