BMW M2 (F87)

BMW M2 (F87).

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“Um capeta em forma de guri”. A grande composição poética, digna dos clássicos infantis dos anos 80, foi o que me veio à cabeça ao começar a falar da M2. A menor das “M” teve a missão de substituir, ou preencher o espaço deixado pela excelente 1M, conhecida por ser muito esportiva, além claro “man pedal” numa caixa de 6 marchas, e tração traseira.

“Ela é disparado a mais agressiva de todas”, falou meu amigo piloto quando me passou a chave do carro. “Mais agressiva que as outras?”, pensei. A menor, e menos potente?

O motor é o mesmo 6 em linha, mas turbo, não biturbo, como nas irmãs maiores M3 e M6 (esta no caso V8), e possui 370 cavalos com 51kg de torque quando acionado o overbooster. Isso tudo num corpinho de menos de 1.500 kg. A caixa deixou de ser a mecânica (infelizmente não existe mais essa opção, coisa que não concordo) e conta agora com o excelente câmbio de dupla embreagem de 7 marchas. Acho que o papo sobre câmbio manual tradicional, com o man pedal x caixas dupla embreagem vai ser uma discussão eterna.  No meu caso, o pé do punta-tacco chegar a tremer em alguns momentos pilotando carros AT ou DCT. Enfim…

Visual dela é bem imponente, como da M3/4, e confesso que, olhando de longe, fica difícil distinguir olhando apenas os modelos de frente. São muito parecidas, como dá para ver nessa foto aqui, é ou não é? (Ali atrás está a M3 na cor azul).

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Mas ela remete bem a agressividade e esportividade ao se olhar para ela, ainda mais pela carroceria coupé. O interior segue o padrão da marca, mas, repare ali ao lado da alavanca do câmbio: aqui não tem os “botãozinhos” dos controles de modos conforto/eficiência para esportivo. Não papai… aqui o negócio é diferente.

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Se eu ficasse 3 meses com ela e pudesse ir a padaria ou pegar um trânsito pesado, eu falaria mais sobre o interior e afins. Mas confesso que não prestei muita atenção.

Até porque, ao ligar a “coisa”, um belo ruído alto e meio embolado tomou conta do ambiente. Isolamento acústico ruim? Não. M3 e M6 alteram o barulho quando se coloca no modo Sport Plus.  Aqui, como falei, o “barulho é raiz” desde que se liga a chave.

O “modo” dela é esporte. Saio dirigindo no local até pegar a estrada, aquela expectativa para sentar o pé no fundo do assoalho igual o Fred e o Barney. “Ela só tem 370 cavalos, eles disseram, ela anda menos, eles disseram”.

Que nada! Piso fundo e o soco vem mais forte com uma entrada de turbo mais agressiva! Marchas curtas e sendo engolidas rápido, e aquele barulho maravilhoso vindo de todos os lados. 100, 150, 200km/h e a sensação de andar num trilho nela parecia maior que nas outras. Uma sensação de controle muito forte, e tudo te instiga a ir mais e mais rápido!

Alguns carros à frente, ancoro nos freios, que são potentes demais, e que te levam a achar que, mesmo vindo em qualquer velocidade e subir neles, o carro vai conseguir reduzir a tempo. Bato duas vezes na borboleta esquerda, a marcha entra mais rápido que meu pensamento pra reduzir, pé no fundo e aquele folego de Usain Bolt querendo entrar em velocidade Mach1 se fosse possível! Ah, eu acho que poderia fazer isso só pelo restinho dessa minha vida que me resta, mais uns 65 anos…

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Ok, acelerar em linha reta é ótimo. Mas meu negócio é curva, freio, redução, punta-tacc… ops, chamar na borboleta, dar pedal, coloca a frente, traseira que se vire pra acompanhar, aqui é 50/50 baby…

Uma curva em “u”, de raio longo e 3 pistas se aproxima. A 190 km/h me sinto tentado a entrar desse jeito mesmo. Com a confiança já adquirida na máquina, me posiciono do lado de fora da curva e começo a tangência sem perder o ponto certo de entrada – difícil em curvas como essa.

A curva começa e não dá pra ver além de 40% à frente de pista, já que é um “U”. Entro confiante e na hora já sinto como a M2 tem DNA de pista. Ela mesmo com os controles ligados, mostra bem que, se você não sabe o que está fazendo, você vai ter problemas. Realmente bem mais arisca que as outras, e isso é delicioso!

No meio da curva, eis o motivo que não se deve entrar em curvas assim acima da velocidade: um carro que estava lá na direita, de repente muda totalmente a trajetória pro meio da minha tangência. No exato momento que eu estava pisando fundo para retomar, indo próximo a 200 km/h na saída da curva!

Tiro o pé do acelerador, puxo a trajetória para uma linha mais “reta”. E aí é inevitável, piso no freio para evitar a colisão porque ainda não desenvolvi meus poderes de X-Men de teletransporte ou de ficar invisível.

A M2 não gostou muito da atitude, e pressenti aquela saída de traseira, momento que o head up display mostrava no para-brisa algo perto de 175 km/h. Um leve contra, tiro o pé do freio, ela volta, mais uma freadinha para não abalroar a traseira do carro da frente, uns 30 batimentos por minuto a mais no coração e tá tudo certo de novo. Pé em embaixo novamente!

Sem um carro desse nível, e alguém que saiba o que fazer, essa corrigida não seria possível ok? Lembre-se disso: curvas que não se vê o fim, caso algo aconteça, é grande a chance de dar merda. “Imprevisto, situação inusitada”? Não, é merda mesmo. Não o faça!

Após essa curva havia uma rotatória, e parece que a M2 quase que pede pra andar de lado. Qause ouço ela falando comigo: “Mano, isso aqui é uma rotatória, o controle de tração tá ligado porque”? Bom, dessa vez não podia… Desculpa M2, na próxima vez eu prometo que desligo tudo.

Mas o apetite dela para andar, curvar, frear forte, retomar, parece não ter fim. E para qualquer tipo de situação, ela é tipo um Golden Retriever querendo brincar, não interessa se é curva curtíssima, rotatória, serra, curvas de alta, altas velocidades (com o pacote “M Driver” ela vai a 270 km/h), ela está sempre disposta a buscar cada vez mais o limite, com muita diversão.

Se for comprar uma M2, não faça isso para passar na porta de bares devagar, passear nas praças para chamar a atenção das pessoas, ou para fazer coisas do dia a dia num trânsito horrível de cidade brasileira. Ela foi feita para ser exigida, essa é a palavra. É intensa e pede que você vá em busca do limite, da adrenalina, do pneu saindo fumaça, do carro saindo de lado, encontrar amiguinhos para depois postar vídeos no “benga é benga”, e por aí vai. M2, #tamojunto.

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BMW M3 (F80)

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BMW M3. “M3”, para os íntimos. Ou “íntimos” entre aspas. Digo isso porquê, o nome por si só já é representativo para muita gente, especialmente para quem está próximo da faixa dos 30 anos.  O modelo marcou uma época como  o objeto de consumo máximo de muita gente apaixonada por carro. A M3 era “comprável”, algo que a mítica Ferrarri 355 não era… falando aqui da época da M3 E36 (E36 – nome dado para a carroceria). O modelo que já era bom parecia que não poderia ser melhorado, mas veio a sua sucessora a M3 E46, esportivo que hoje está na lista dos 10 mais em 10 de cada 10 “gearheads” e apaixonados por carro. E, com toda razão. Até hoje o carro é lindo, tem bom desempenho, e o 6 em linha aspirado girando altos 8 mil rpm é de viciar qualquer um!

Mas vamos lá, o que eu tinha na minha frente era o mais novo modelo da M3, uma F80 que renascia das cinzas (esse termo é ótimo. E sim, eu sempre lembro do Fênix dos Cavaleiros do Zodíaco, aquele que era irmão do Andromeda…) o motor seis em linha, após um período de V8 aspirado. Não que o V8 era ruim… longe disso, era um 4.0 com 420 cavalos. Só que estamos na era turbo. Não, peraí… a era turbo não foi nos anos 80, com o realmente veloz e furioso Grupo B, e os motores de mais de 1000 cavalos na F1? Engraçado né… voltamos a era turbo então, acho mais correto dizer.

O novo 6 em linha biturbo tem apenas 11 cavalos a mais que o antigo V8 da M3 E90, que atingia os 420 cavalos a altas 8300 rotações. Agora, o propulsor novo chega na potência máxima a mil RPM a menos, 7.300. Mas o pulo do gato aqui está no torque. Que aliás, é o motivo da volta do uso do turbo na indústria automotiva hoje: A capacidade de gerar torque em giros baixos, e manter curvas plenas até o pico, permitindo o uso de motores menores com rendimento mais eficiente, e por consequência, menor consumo de combustível.

O V8 gerava bons 40,8 kg de torque, mas a 3.900 RPM. O 6 biturbo arrebenta com esse número: Gera altos 56,1 kg mas a baixos 1850 RPM! O que isso significa? Que você leva uma porrada nas costas a menos de 2 mil giros, resumindo.

Não só isso: a aceleração de  0 a 100 caiu de 4,8 segundos, pra 4,1 segundos no modelo turbo. Grande diferença!  O consumo da V8… eu não sei, e o da 6 em linha eu não quero saber. Deve beber menos a biturbo com certeza. Mas, e daí… Esses carros foram feitos para acelerar e pulverizar combustível mesmo.

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O modelo que eu ia ter o prazer de dirigir era azul! Oh cor bonita demais (Azul Yas Marina que chama). Nessa ditadura de “preto-prata-branco” de hoje, essa cor agrada muito aos olhos. Mesmo na versão 4 portas, ela é linda, chamativa e instigante (A M3 é o modelo da série 3 “M” sedan, e a M4 é o modelo da série 3 “M” coupé. Ou seja, a “M3” que a gente estava acostumado a ver, de 2 portas, agora chama M4). O conjunto óptico agressivo está lá, bem como os desenhos dos para-choques da frente que não possuem faróis de milha, pois ele tem generosas entradas de ar. As belas rodas são aro 19, enfim, dá pra ficar namorando o carro um tempo pela sua beleza externa. Mas eu tava mais preocupado com a parte de dentro…

Dentro do cockpit, tudo que a BMW oferece de bom, como o iDrive (que não parei pra mexer até hoje, ainda me parece confuso, mas vendo quem já tem familiaridade com ele, parece simples), a tela acima do painel central, o belo console no meio com a alavanca do câmbio e os botões mágicos de desempenho. O velocímetro não economiza e mostra até os 330 km por hora (e muito entendido vai dizer que essa é a velocidade que o carro atinge…), alias, a velocidade é limitada aos 250 km/h como sempre, mas existe o pacote “M Driver” que libera até os 280 km/h, e a unidade que eu iria dirigir possuía ele. Bom saber… não gosto que me limitem em nada na vida. “Quem tem limite é município”, diziam os sábios. O conta giros segue o padrão das M3 antigas com as marcações em amarelo e vermelho nos giros mais altos. Giros estes que sempre que os atinjo, a octanagem que corre no meu sangue costuma borbulhar mais. Como é fantástico ver aquela subida do giro, o pé afundado no acelerador, o barulho do motor crescendo e a pressão nas costas enquanto o carro vai ganhando velocidade!

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Saí dirigindo ela com aquela sensação “finalmente estou pilotando uma M3”. Dá até pra colocar um “visto” naquele papel de “metas da vida”. Eu havia acabado de dirigir a poderosa M6… pensei comigo “bom, devo ter uma percepção não tão boa do desempenho do carro, já que venho de uma besta de 560 cavalos”.

Ledo engano. A aceleração da M3 é muito forte, e na saída da imobilidade, mais forte que da M6. A questão é que ela consegue colocar a força no chão. O câmbio de 7 marchas de dupla embreagem é a oitava maravilha do mundo, mas se você colocar tudo no modo esportivo e tirar o pé na troca de marcha, você leva um coice na “cacunda” sem igual. Seguidos dos pipocos do escape… arrepiante. Colando o pé, a sinfonia do seis em linha subindo até os 8 mil giros invade forte o habitáculo, e me passa a sensação que com pouco, eu já teria o feeling do giro do motor ali no lóbulo da orelha. A velocidade cresce rápido, vem os 100, os 150, os 200, passa de 200 km/h… e nada de parecer perder o fôlego. Nas vezes que andei, não tive chão e espaço pra ir muito além ( 250km/h talvez?), mas é incrível sentir esse carro acelerando! Dá vontade de fazer isso umas 5 horas seguidas… tipo uma viagem de BH ao Rio… se bem que nela, em 5 horas eu iria de BH a São Paulo, já contando pedágios, paradas, chegadas, café, papo com o frentista do posto, pausa pra carselfie, post no instagram e etc…

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A primeira curva que pude entrar mais forte, era uma dos meus tipos favoritos: rotatória!! Louvado seja o ser humano que inventou as rotatórias! E um salve salve pros engenheiros de transito que decidem fazer elas…

O asfalto na chegada da rotatória era péssimo, todo ondulado, e a entrada era no meio de uma curva subindo… tudo de “errado”, pra perder o controle do carro. Vim freando forte, deixando a direção dar aquela ajustada pelo asfalto horrível debaixo dos pneus, chamando cada marcha na borboleta até que entrei forte… estava com todos controles de tração ligados, e na hora nitidamente senti que era apenas uma questão de desliga-los para iniciar uma saída poderosa de lado e contornar toda a curva assim. O carro tinha força demais disponível, e tinha que dosar muito o pé pra manter ela na linha… ah, eu preferia estar com o pé embaixo, comendo pneu de lado e dando aquele contra. Na saída, uma reta em descida que o carro engoliu o velocímetro, e quase perto da entrada do local de parada, vindo a quase 200 km/h, eu subo nos freios com tudo a poucos metros de onde deveria entrar.

Vou te falar que, do mesmo jeito que ela impressiona ao acelerar, ela ancora ao frear! Foram os freios mais fortes que já tive debaixo do pé!. Nessa hora os passageiros já estavam desesperados quase arrancando o puta merda, um pedaço dos bancos, achando que o carro ia passar reto… bobinhos, aqui é M3 rapaz, respeita!

Dei mais algumas voltas depois, sempre com a adrenalina a mil nas acelerações, e cada vez mais buscando o limite nas curvas de alta. A cada curva, a nítida impressão que eu estava sendo gentil demais com ela. Se ela falasse, acho que seria algo tipo “André, deixa de frescura e vê se entra rápido”. Não tive tempo de ir buscando mais esse limite… só digo que saídas de curvas a 200 por hora estavam ficando frequentes, e a coragem para entrar além disso também.

Mais frequente ficou a vontade de continuar acelerando, testando os limites nas curvas, os freios, aquele barulho maravilhoso, a posição de dirigir perfeita, os belos bancos que te envolvem, o volante com pegada na medida para pilotar, enfim… A M3 continua sendo o que todo apaixonado por carro se espera: linda, emblemática, agressiva, perfeccionista, alucinante!

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