Argo x Polo: “It´s time!”

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Se o mercado automotivo brasileiro fosse um evento de MMA, com certeza o “main event”, ou luta principal do card seria a batalha que está prestes a acontecer entre Fiat Argo e VW Polo.

Apesar de não serem “pesos pesados” como os “Suvs”, Crossovers e pick up´s, são os dois que mais chamam a atenção da imprensa e público atualmente. Tanto que toda vez que se fala de um, se comenta sobre o outro, quando se fala do outro o “um” é citado.

E não é por menos: a antiga detentora do cinturão de campeã de vendas Fiat aposta todas suas fichas no compacto, que substitui de uma vez o consagrado multicampeão de vendas Palio e um grande preferido do público, o Punto. Isso logo após tirar de linha os bons modelos Idea, Linea e Bravo, que apesar de excelentes produtos, foram mal posicionados e não tiveram o devido sucesso de mercado que mereciam, mais especificamente Linea e Bravo. Enquanto a linha Jeep e a pick up Toro vão muito bem, o pequeno Mobi foi mal posicionado sendo lançado com motor antigo e preço “novo”, e poderia ter tido bem mais sucesso no mercado se já viesse equipado com o moderno Firefly. A Fiat perdeu a liderança para ela mesmo, porque a fabricante teve bons produtos no portfólio mas escorreu em pequenos deslizes de posicionamento e questões técnicas nos carros, e em não saber “ler” o mercado. Mas agora, ela fez igual o Rock Balboa e se preparou como nunca pra voltar a competir em alto nível.

Já a VW era então a grande campeã antes de ser destronada pela iniciante Fiat, e ficou ali vendo a Italiana no primeiro lugar de perto durante anos. Quando finalmente a italiana de Turim caiu do trono, a alemã do povo estava com a guarda baixa e a GM aproveitou a oportunidade, assumindo a liderança em vendas, com muitos lançamentos, muito marketing e um trabalho forte de qualidade na venda e atendimento na rede de concessionárias como principais fatores de sucesso.

Só que agora, as duas veteranas do cinturão querem seu lugar de volta. It´s time!

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Novamente eu tive a felicidade de ter contato profissional com os dois modelos, um após o outro. Costumo escrever os textos individualmente sobre cada carro que coloco as patas, mas dessa vez vou arriscar um comparativo já que está fresco no tempo o contato com os dois lutadores, e eles chegaram quase juntos na arena.

Eu não vou fazer aquele texto de comparação técnica de modelos e valores e opcionais, isso já foi feito por várias revistas e você mesmo pequeno gafanhoto pode entrar nos sites das montadoras e fazer suas próprias configurações, o que sugiro que faça invés de apenas seguir as matérias das grandes revistas e sites, que na minha opinião não conseguem nem ser imparciais e nem ter qualidade como instrumento de informação na maioria das vezes.

Com os carros eu tive experiências diferentes: Fiquei cerca de 30 dias acompanhando um Argo HGT que estava exposto ao público, na cor branca, posteriormente dirigindo o mesmo modelo num teste drive na rua, e com o Polo foram dois dias de pista, além de uma visita em uma concessionária, mas que foi suficiente para analisar bem as características do novo VW.

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Começo falando do Argo HGT: Se você ler comentários negativos sobre a aparência e acabamento dele nas redes sociais, ao vivo, o público teve uma mesma opinião sobre o hatch italiano: “Ficou bonito hein?”. Ouvi essa frase só uma centena de vezes. O elogio ao design e ao interior e acabamento foi unânime. Um único sujeito falou que não havia gostado, mas eu descobri o motivo: A esposa dele tinha elogiado muito o carro e queria que queria um modelo novo na garagem. Depois de aplicar algumas técnicas básicas de psicologia, eu fiz ele admitir que só tava criticando para ir contra a Dona Maria mesmo (e tentar evitar a inevitável nova aquisição automobilística da casa). E o visual do Argo teve realmente um trabalho forte de linhas, traços e detalhes na estética que funcionaram muito bem. Todo o interior segue um mesmo padrão de design e acabamento, e a tela central de TFT de 7” e o kit multimídia de mesmo tamanho em HD funcionam para dar o aspecto de “nave espacial”, característica que percebi que praticamente 98% das pessoas curtem, incluindo a minha pessoa. Mas, claro, estamos falando da versão top de linha do carro, e é função dela se destacar.

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Eu depois conheci todas as outras versões do Argo e fiquei surpreso: elas mantinham um bom padrão de acabamento e design. O painel tem um grafismo diferente no HGT, mas nas outras versões também é bacana. O ar condicionado no modelo HGT era digital, basicamente igual dos primos “ricos” da Jeep e da Toro, com os botões emborrachados, o que ajudava bem a compor a sensação de modernidade e qualidade do painel. Fiquei curioso de ver como seriam os comandos nas versões inferiores, pois isso poderia ser um ponto fora da curva no acabamento interno, mas os acionamentos analógicos são de boa qualidade também. E é nesse exato ponto que começo a falar do Novo Polo.

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Na versão Highline do Polo, o que mais destoa negativamente foi o ar digital. Invés de ser baseado no do Golf, que é bem bacana por sinal (estou falando de design, acabamento e percepção de qualidade), o do Polo remete à linha Gol, Fox e afins. O resto do carro segue um nível razoável, com muito destaque para o sistema multimídia Infotainment “Discover Media”, que é um opcional que vem junto nos pacotes Tech High de R$ 3.300,00 ou o Technology Pack de R$ 2.800,00 (valores de novembro/2017). Parecem caros mas os pacotes vem com vários outros itens interessantes, sendo que no Tech High vem a tela digital do painel de instrumentos “Active Info Display” de 10,2 polegadas. Voltando ao Infotainment, esta central multimídia é de altíssimo nível, tem 8 polegadas e trás tudo do bom e melhor que se pode ter neste tipo de equipamento, com o uso de forma muito fácil e intuitiva e funções a perder de vista, além do bonito visual e boa colocação no painel central. O GPS vem integrado e é muito bom, coisa que no Argo por exemplo não tem, você precisa parear o GPS do seu APP do celular na tela. Se seu smartphone for um Apple você pode ter problemas, não pela central do Fiat não aceitar os aplicativos e sim porque muitos dos programas do iOS não rodam em nada que não seja Apple.

Neste ponto o Polo leva vantagem sobre o Argo em multimídia e painel de instrumentos, do ponto de vista de qualidade e tecnologia, nas versões top, com os opcionais colocados. O problema é que o também bom multimídia em HD do Argo vem de série desde a versão 1.3 Drive mecânica, e a tela TFT de 7 polegadas do painel central vem de série nos HGT. Monitoramento de pressão dos pneus também vem de série a partir do Argo 1.8 Precision em diante, e no Polo é opcional. Mas em contra partida, o Polo vem de série com 4 air bags em todas versões, e no Argo o opcional custa R$ 2.500,00 e só está disponível novamente a partir da versão Precision 1.8. Mas o Argo vem com sistema start-stop de série em todas versões, item que ajuda bem no consumo no dia a dia, e tem alças no teto. O Polo não tem alças no teto, mas tem luzes de iluminação interior na parte de trás do carro e o Argo não…

Finalizando sobre interior e equipamentos, o Argo na minha opinião mantém mais a qualidade em todo o interior além do design, passando uma boa impressão e sensação a bordo. O Polo peca em pouca qualidade, ou digamos qualidade não à altura em alguns pontos do acabamento, bem como um visual interno sem muita criatividade, e que remete mais à linha Gol do que aos modelos superiores.

Na pista, o Polo foi muito elogiado pela grande maioria, assim como ocorreu com o Argo e seu visual com o público. No percurso com curvas bem fechados e alguns “esses” para reduzir a velocidade dos mais abusados, o Novo Polo se mostrou um carro fácil de guiar pelo motorista comum. O bom torque de 200 NM (que dá o nome da versão Highline TSI 200) ou 20,4 kgfm de torque como estamos mais acostumados, com o baixo peso do veículo, entrega tudo o que o brasileiro hoje mais aprecia na condução de um carro: torque em giro baixo e câmbio automático. A direção é bem precisa, se aponta nas curvas sem muita dificuldade, existe pouco rolamento da carroceria, e a suspensão não tem uma calibragem muito dura, então existe uma leve inclinação mais pela suspensão do que por torção de chassi.

O câmbio é de bom comportamento no uso comum, casou muito bem com o 1.0 turbo. Em uso esportivo, ele fica devendo um pouco. Quando se vem na tomada de curva e se “chama” 1 ou 2 marchas na borboleta, ele as vezes não consegue fazer as reduções a tempo quando se exige mais rotação na redução, e aí você entra na curva e tem que ficar “pensando” se a marcha entrou ou não, e quando ou no kick down ou em outra redução manual a marcha certa entra, sente-se um leve tranco. Nada que desabone o conjunto, mas esportivo mesmo ele não é, e na verdade apenas em modelos mais caros com esse apelo que se consegue esse tipo de comportamento, salvo exceções. Mas em geral, qualquer condutor do Polo vai se sentir muito seguro e tranquilo de andar em uma estrada, realizar ultrapassagens e fazer curvas com mais atitude, sempre amparado pelas boas babás eletrônicas que entram em ação sem a percepção do motorista. Os freios são eficientes e a disco no TSI, enquanto que no Argo os traseiros infelizmente são a tambor, O carro acelera bem e constante, e as relações de marcha ficaram boas para manter a faixa de giro dentro das curvas de torque do motor, o que não é muito difícil em carros sobrealimentados com turbo compressor. O campo de visão é bem amplo e a posição de dirigir muito agradável e simples de se ajustar.

No Fiat Argo eu andei apenas em circuito de teste drive na rua e não em pista, em um modelo HGT com câmbio automático. Logo ao sair da concessionária tive uma boa surpresa ao acelerar em 2 marcha: o torque disponível impressiona para um modelo aspirado. A posição de dirigir fica bem legal, e os bancos são de muita qualidade, melhor que os do Polo na minha opinião.

O cambio e o conjunto com o motor ficaram bem dimensionados para o porte do modelo, e ele não tem problemas em desenvolver velocidade sem necessidade de muita pressão no acelerador. As trocas de marchas são suaves andando normal, boa relação entre as marchas, com 2 e 3 próximas facilitando o câmbio a não reduzir em subidas e retomadas situação que eu experimentei algumas vezes.

Acelerando forte o Argo HGT, o 1.8 de 139cv faz um barulho e sobe de giro de forma linear, com bom desempenho. Em comparação com a faixa de preço e modelos concorrentes, tirando o Polo, com certeza ele leva ampla vantagem aos concorrentes. Em giro mais alto eu esperava aquela “puxada” característica de modelos esportivos aspirados, mas isso não aconteceu, como o antigo 1.6 16V da primeira geração do Palio fazia. O acerto do carro prioriza o torque em giro baixo, como é o gosto do nosso motorista comum e o que se realmente usa em 95% ou mais da maioria dos deslocamentos feitos, pois na cidade raramente se passa de 3000 rpm num carro 1.8 leve e de bom torque como o Argo. Não pude fazer muitas curvas com mais atitude, mas senti pouca torção de chassi, um comportamento neutro da carroceria e boa comunicação entre volante e reações do carro. Em curvas muito fechadas ele sai um pouco de frente, algo não incomum em modelos de tração dianteira neste tipo de situação. Nas reduções mais fortes senti que o câmbio do Argo é um pouco mais rápido e aceita mais giro na reduzida do que o do Polo, permitindo uma tocada mais agressiva, mas pouca coisa de diferença. Lembrando que o câmbio dos dois modelos é da fabricante Aisin.

Então, qual é o melhor? Eu não sou de ficar em cima do muro nas opiniões, mas nesse caso, confesso que não consigo apontar um “vencedor”.

No quesito visual e acabamento, o Argo leva vantagem considerável sobre o Polo, e sem muita discordância do público em geral. O VW já está sendo chamado de “Golzão” nas redes sociais e comentários na internet. Eu não acho que isso desabona o carro, o problema é o tamanho da expectativa que foi criada em relação ao modelo. A linha premium da VW entrega muita qualidade e sofisticação além de tecnologia, e se esperava do Polo algo mais próximo disso (como é o Golf), do que da linha Gol. A VW sabe disso e já está trabalhando na propaganda, colocando chamadas sobre o Polo com slogans tipo “Pode chamar de mini-Golf”, e matérias pagas em revistas falando “Itens que o Polo possui a mais que o Golf”, numa tentativa de relacionar o novo modelo ao consagrado campeão de vendas mundial.

Já o Argo carregava uma expectativa da Fiat criar novamente um bom compacto, moderno, bonito e bem equipado, e ele cumpriu o papel. Simples assim. Acredito que a Fiat ainda deva melhorar os valores do Argo, como ela fez com o “desacreditado” Mobi (o qual eu escrevi um texto aqui no blog me referindo ao pequeno 1.0), e tornar o Argo realmente uma ameaça ao Ônix. O Argo vem mantendo as vendas e subindo levemente de posição, e eu acredito que ele possa se tornar consistente em vendas ao longo do tempo, como o próprio Mobi também tem se mostrado. Só que o Argo tem bem mais condições de ocupar mais faixas de mercado e agradar o público.

Já a VW aumentou alguns valores dos pacotes de opcionais, exatamente o item que também o diferencia mais do Argo, além do motor. E a montadora tem costume de aumentar bem os valores de seus modelos, vide como fez com o excelente Golf, basicamente matando o modelo no nosso mercado. O Polo possui a melhor e mais moderna plataforma e motor desse segmento, sem dúvida, mas o Argo fica muito perto nesse quesito. Essa vitória que era já “comemorada” pelos entusiastas VW não é simples assim, ainda mais com a nítida percepção do público sobre o visual e acabamento do Polo ser aquém do esperado.

Então, qual dos dois eu teria? Se fosse para um uso intenso na cidade, com deslocamentos grandes e muito tempo no trânsito, ou seja, para uso mais racional, eu iria de Polo. Ele possui todas as características para uma condução confortável, precisa, segura, com economia e força de motor.

Se eu quisesse um modelo para curtir mais, tanto o visual quanto equipamentos e até em performance, eu iria de Argo com câmbio mecânico. Mesmas boas características de condução, interior muito agradável, visual externo que vai fazer o dono dar aquela olhadinha pra trás quando para o carro, e mais esportividade com a opção do câmbio mecânico, ou mesmo no AT. Ou seja, entre os dois, enquanto tiver semelhança de valores, o gosto e tipo de uso vai definir qual o modelo preferido de cada um.

E que eles lutem o bom combate, e que vença o mercado de automóveis e público brasileiro.

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