Jeep Renegade

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Idos do início do ano 2015. O apocalipse caia sobre a indústria automotiva brasileira, como eu já pressentia desde 2013, quando as vendas vagarosamente foram caindo. Mas eis que, lá em Goiana, em Pernambuco, estava já em processo a construção de uma fábrica com uma missão: Lançar o primeiro Jeep nacional, após a formação da FCA (Fiat Chrysler Automóveis). Não dava para parar esse processo de construção e lançamento, que havia começado antes do colapso.  O carro seria lançado no olho do furacão. Então, sorte a minha, fui chamado  antes do lançamento, para dar treinamento em pista para a ainda inexistente rede Jeep, ou Chrysler/Jeep dependendo.

Passei boa parte da vida no fora de estrada. De todas formas:4 ou 2 rodas, com motor ou não, duas pernas, motor ou não. Meu pai cismava de colocar a Elba CSL dele (com aquele check control alienígena do lado esquerdo do painel, que eu quando criança ficava olhando vidrado pras luzinhas) nas estradas de terra afora, para minha sorte, sempre indo a alguma belíssima cachoeira. Obrigado pai e mãe por isso. Lembro de uma vez que, após uma chuva, meu tio num Ford Del Rey zerinho, lindo de tudo, atolou na lama numa dessas estradas e após tentativas frustradas e muita lama na roupa, se sentou no capô do carro e determinou: “Daqui eu não saio. Daqui ninguém me tira”. Bom, meu espirito sempre foi outro. Quanto mais difícil, aí sim, eu queria passar. Boa parte da adolescência e começo da vida adulta foi constantemente fazendo trilhas e participando de competições off road de alguma forma, com campeões de provas ao meu lado. Disso eu entendo um pouco, e estava curioso para saber para que o novo Jeep, marca que lá atrás deu o nome ao passamos a chamar hoje de “Jipe” no Brasil, iria se propor.

Será apenas mais um “carro altinho”, como eu chamo o que as pessoas insistem em chamar de “SUV”?

Bom, alguns minutos após o treinamento, eu comecei a perceber que ele não tinha vindo para brincar não. Lista de equipamentos, tipo de tração, etc… E eis que é falado que a expectativa era de “8 mil unidades por mês”. “Cuma”?, diria o trapalhão Didi Mocó.

8 mil??? Nessa decadência do mercado? Não dava pra tentar umas 2 mil unidades por mês, sentir a vibe, e depois tentar crescer?

Na verdade, 8 mil era a expectativa de toda linha Jeep com o tempo. Com o Renegade constantemente entre os 10 primeiros mais vendidos, e o novo e belo Compass saindo do forno, alguém duvida?

Tendo a sorte de estar sendo treinado pelo Luís Carquejo, mestre do off road, fui conhecendo todas as tecnologias e características dos modelos 4×4,o qual eu ficaria responsável por ser o instrutor na pista montada com alguns obstáculos e dificuldades.

Motor turbodiesel common rail, 170 cavalos, 35,7 kg de torque (eu havia recentemente trabalhado para a VW com o Golf GTI, e na hora me veio a cabeça que era o mesmo torque do esportivo alemão), a ótima caixa ZF de 9 marchas. Controle de subida em rampas, em todos modelos alias, “Hill Descent Control”, controle de descidas, opções de modos para cada tipo de terreno, marcha reduzida… É, ali tinha um Jeep real, feito para sair do asfalto mesmo. E com um powertrain de alto nível. Estava gostando do que escutava.

O modelo flex, teria o bom e velho Etorq. Pensei eu:  “Ah, pelo menos irão fazer um retrabalho em alguma coisa, aumentar um pouco a potência, o torque. “ Só que não. Deixa para esperar um ano, e fazer isso no lançamento da Toro, e depois, colocar no Renegade. Nem vou comentar sobre o fantástico planejamento Fiat de lidar com seus motores nos últimos anos. Pra quem andou de Palio 16V girador, Fire´s torcudos e econômicos e Tempra Turbo Stile, dá uma dor aqui do lado esquerdo do peito.

Mas, peraí, no modelo AT, viria com uma caixa Aisin de 6 marchas.. hum, legal. Falarei mais sobre isso.

Foram umas boas 8 horas ou sei lá, de treinamento, mas chega, bora ver e dirigir o carro.

Haviam algumas unidades Trailhawk laranjas e verdes das unidades que íamos usar… alguns Longitude pretos com roda aro 18, e alguns Sport simples.

Como eram bonitos os mais sofisticados! Os laranjas então… Na minha opinião, difícil de ver e não gostar de imediato. A frente trazia a grade e os faróis redondos marca registrada Jeep, que imediatamente nos remete ao bom e velho Willys, o corpo robusto e quadrado, mas em contra partida compacto, e quase que conseguindo ser masculino e feminino ao mesmo tempo. Caixas de roda grandes, altura na do parachoque dianteiro não muito alta nos modelos flex, com maior ângulo de entrada no Trailhawk.

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Entro no carro. Bom, eu gosto de carro. Há quem diz que eu defendo x ou y marca, mas na verdade, eu falo do que vejo. Aquele carro viria pra ser na faixa de 69k até os 120k do diesel. De cara reparo nos bancos e volante, de excelente qualidade!

Coloca no chinelo o de carros mais caros.  O volante é multi-funcional, controla tudo sem tirar as mãos, rádio, multimídia, computador de bordo e piloto automático. Tem excelente empunhadura, pega para as mãos e qualidade no material. Os bancos são uma poltrona, abraçam o corpo todo, tem ótimo apoio e bons ajustes. Ora bolas, quando estou dirigindo, maior parte do meu corpo está encostada no banco, e a parte que pilota, está no volante… dois itens fundamentais. Lembro que em um dos dias do treinamento, colocaram um concorrente para avaliação… não sou de ficar em cima do muro, era um Ecosport, versão intermediaria. Lembro da imensa diferença dos bancos e volante do Ford. Pequeno e duro, o banco, e simples e fino, o volante, frente a poltrona do Renegade e o ótimo volante todo envolto em couro do Jeep.

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E, enfatizo isso porque, todo carro deveria ser assim, prezar pelo valor agregado ao seu proprietário.  Quando o Renegade e posteriormente o HRV foram lançados, redefinindo os parâmetros do segmento, Ecosport e Duster despencaram em preço e venda imediatamente.

O consumidor brasileiro PRECISA aprender a não pagar caro pelo que não vale. Estes dois modelos que reinavam sozinhos, estavam completamente superfaturados, tanto que num mês tiraram quase 30% do valor deles, e ainda assim eles davam lucro. Imagina então o tamanho do lastro que se tinha no valor de venda anterior?

Voltando ao Renegade: painel também é bonito, a tela de LCD dos modelos equipados com este opcional é item visto apenas em carros de luxo mais caros, normalmente. Ótimo material emborrachado em todo o painel. A qualidade dos botões dos comandos de ar condicionado e outros no painel central são excelentes. Tem carro que parece que os botões foram desenhados por uma criança brincando na escolinha, de tão simples e sem design ou algum tipo de preocupação com estética.

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Assim, o interior dele se torna automaticamente agradável. O computador de bordo, que aliás, eu sou fascinado com isso em carros, traz informações como voltagem da bateria, pressão dos pneus, temperatura do óleo, consumo instantâneo… ah, adoro isso.

Muitos e muitos detalhes bacanas fui percebendo, as boas maçanetas para abrir as portas, os vários porta-objetos. O espaço atrás é bom, espaço grande para a cabeça atrás, e os joelhos não são prejudicados quando se tem um motorista mais alto na frente.

Os “easter eggs”, “ovos de páscoa”, são pequenos detalhes que se vai descobrindo pelo carro (daí a alusão à busca pelos ovos na páscoa), como desenhos de pequenos jipes pelo carro, uma aranha em alto relevo dentro da tampa de abastecimento, alguns “X” típicos do modelo espalhados por toda parte. Um cuidado aos detalhes que me agrada muito saber o esforço e dedicação na criação do carro. Eu ficaria muito tempo aqui falando de todas percepções.

O Renegade iria ser lançado com controle de tração e estabilidade desde a versão básica! Qual carro vem a sua cabeça, que custa mais de 100 mil Temers e até hoje não conta com tais dispositivos??? Qual?? Isso aí, começa com “Cor” e termina com “olla”.

Quando vi o carro, os equipamentos, e o preço que diziam que ia ser lançado, pensei: “vai vender muito”. E sim, minhas profecias automobilistas funcionam. Antes do Up! Tsi ser lançado eu dirigi o carro, e eu disse que ele andaria mais que muito 2.0 por aí, e ele virou o “bengador dos desavidados” por aí. (o vídeo da profecia vai pro canal do YT em breve).

Mas já falei demais do carro, coisas do carro e outros carros e afins. Hora de falar do carro do jeito que eu gosto: Andando. E fora de estrada.

Mas isso é assunto pro próximo post. Até lá!

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