André ao Volante – Introdução e BMW M6 (F06).

Eu poderia iniciar esta página com várias e várias histórias minhas com carros. Mas eu sei que não chegaria nunca ao começo da primeira avaliação, motivo deste blog, antes dos 80 anos de idade, até conseguir contar tudo que já passei. Poderia contar que quando eu tinha 6 anos de idade, meu sensato pai me colocava no colo quando ele dirigia, e, com alguns passageiros a bordo, sadicamente soltava o volante e falava “vamos ver se ele consegue fazer a curva”. Ele já sabia que eu conseguiria, mas se divertia com os berros dos pobres ocupantes desesperados com aquele moleque de cabelos pretinhos segurando o volante e sorrindo enquanto fazia uma curva na Avenida Cristiano Machado, em BH. Poderia também contar que aos 12, aprendi a dirigir em definitivo numa estrada de terra indo para um sitio com o velho para plantar arvores (Acho que agora só me falta o filho, e escrever um livro), e que os calos nas mãos das enxadadas  durante o domingo de sol valiam os 5 minutos dirigindo na estrada de terra.  A parte de ter 14 anos de idade e pegar o carro escondido da mãe, para andar igual doido pela Pampulha, essa eu pulo. Aos 15 anos de idade buscava minha irmã de 17 nas festas. Eu ia e voltava do destino como um táxi, ou um Úber, sem me envolver em corridas de rua proibidas ou algo assim, por incrível que pareça. Só sei que com 17 eu já era o motorista oficial das idas à Serra do Cipó, num belo Uno EP verde, que eu fazia de carro de rally nas estradinhas de terra. Com 19 eu tive minha primeira paixão automobilística. Seguida pela maior tristeza, quando eu fui entregar meu primeiro carro turbo ao futuro dono. Dia esse que, se fosse relatar os minutos finais com o carro, o texto seria digno do próximo Velozes e Furiosos, sequência 15 provalvelmente. (Estamos na 10 eu acho).

Paro com as histórias por aqui, senão ficaria apenas relembrando as boas aventuras.

Prefiro continuar assim: Minha primeira palavra foi “carro”. Definitivamente, não sou um ser humano normal, eu sei.

Lembro bem da primeira vez que trabalhei como instrutor. Papai do céu um dia sorriu pra minha vida, e através de hoje um grande amigo, abriu as portas para o primeiro trabalho remunerado envolvendo a direção e conhecimentos de carros. Estava eu sentado ao volante, contemplando a pista, e pensando comigo: “Hoje é o dia mais importante da minha vida”.

Assim começa um pouco a história do “André ao Volante”. Falando de carros e da vida, da vida e de carros, e de todo o restinho das coisas que restam.

E começo já em alto nível, com um desejo de consumo pessoal que tive a chance de conhecer um pouco. Vamos lá:

 

BMW M6 Gran Coupé (F06): 4.4 V8 Biturbo, de 560cv (entre 6k e 7k RPM) e 69,3 kilinhos de torque. Força essa passada para as rodas traseiras apenas, por meio de uma caixa de dupla embreagem  (chamada “M DKG”). “DKG” no caso, vem do Alemão “Doppelkupplung”. Nome bonito pra colocar no seu Rottweiller de estimação. A série 6 da BMW existe desde os anos 80, já naquela época com modelos belíssimos, e motores 6 em linha que são marca registrada da marca. Estas linhas atuais surgiram na série 6 em 2005 (E63/E64), e na versão “M” vinha com o sensacional V10 5.0 de 507 que equipava a M5 E60 também (carro este que dirigi na época, e ainda tenho boas lembranças). Esta carroceria novíssima surgiu em 2012, agora com o nome “Gran Coupé”. Eu já achava a antiga bonita, mas essa… hum… me agrada aos olhos de uma forma diferenciada.

Entusiasta e apaixonado por carros desde sempre, purista dos motores aspirados, punta-taccos em toda redução de marcha e carros sem controles eletrônicos, supostamente, eu não deveria gostar das “barcas” estilo Titanic navegando na rodovia. Mas eu curto demais! O visual dela é muito imponente, com suas linhas baixas, mas fluídas, e compridas. Lindas rodas aro 20, sistema de 4 escapes, faróis full led com belas entradas de ar, finalizam o visual marcante.  O interior trás a essência do  2+2, com amplo espaço para passageiros nos bancos da frente e de trás. Talvez os mais altinhos sintam a cabeça chegar perto do teto no banco traseiro. Sentado ao volante, reparo na quantidade de comandos eletronicos. Francamente, para se descobrir todas funcionalidades do carro, eu precisaria ficar com ele 1 mês só fuçando nos botões igual menino pequeno.

bmw-m6-5

Resumindo, o Idrive dá um pau no seu, no meu e em qualquer smartphone por aí. Parece que dá pra regular o carro para ele virar um food-truck se você quiser. Enfim… acho incrível, alguns gostam bem dessa parte de tecnologia, mas vamos ao que interessa: Pilotar a nave.  O barulho do V8 é grosso, não muito alto quando se liga o carro, mas marca presença. Um toque na alavanca do câmbiopra direita, e o “drive” é selecionado. Coloco o carro em movimento. O volante tem pegada de carro de pista, a altura do banco é perfeito, e na frente o “head up display” me mostra a velocidade no para-brisa. Bem útil alias, no nosso querido Brasil cravejado de caça niqueis chamados de “radar”. A troca das marchas é perfeita e a sensibilidade humana não consegue identificar atrasos ou trancos. O carro desenvolve suave, até que… com a tecla “M1” no volante configurada para os modos “super sport” acionados, que coloca as configurações de volante, suspensão e motor esportivas ao máximo, dou duas chamadas na borboleta da esquerda e afundo o pé no acelerador.  O estampido do câmbio junto com o soco nas costas, e a brutal aceleração é simplesmente incrível! Ver o contagiros comendo a faixa dos 8k rpm, enquanto a velocidade sobe igual velocímetro digital de superbike, também. As marchas são engolidas e logo logo os 200 km/h chegam! Veja nesse vídeo a aceleração:

Um pouco de trânsito à frente e um pouco de juízo também, tiro o pé. Mais um pouco de pista livre, flat no acelerador, e o fôlego insano de aceleração se mantém em todas marchas, mesmo já passando dos 200 km por hora. O barulho tende a ficar mais agudo nos giros mais altos e é simplesmente viciante!  Saindo de uma entrada lateral a estrada, em primeira marcha num ligeiro aclive, vejo as luzes de todos controles de tração e estabilidade acesas freneticamente enquanto exijo tudo do motor, que não consegue passar tamanha potência para as rodas. Se não fossem os controles, estas girariam em falso por vários metros, deixando uma assinatura bonita no asfalto de pneu queimado.  A M6 aliás é isso: uma engolidora de pista. Feita para andar em altíssimas velocidades, numa boa. Além da não impressão de estar em alta velocidade, se tem total sentimento de segurança e solidez na rodagem. Uma curva generosa, 3 pistas, raio longo, entro e acelero, até que no meio da curva atinjo os 200 km/h  novamente. Alguns sobressaltos no asfalto, os 1950kg simulam uma saída pro lado que eu não quero, uma consertada aqui, e pronto, ela segue devorando tudo. Carros à frente tendem a querer sair rápido da frente ao ver chegar a bela máquina alemã, que é uma fera. Aliás, adoro isso. Nada mais chato que motoristas na faixa da esquerda na estrada a 84 km/h se sentindo o rei da pista. Viajar neste carro te instiga a pelo menos manter velocidades de cruzeiro altas, qualquer coisa fora disso parece que você está segurando o Rottweiller “Doppelkupplung” na coleira! É muita potência e força querendo ser liberadas. Um total espetáculo de automóvel.

bmw-m6

Voltando a cidade, uma surpresa: como é suave de dirigir no trânsito! A vontade é de dirigir livremente, indo pra qualquer lugar, só pra não sair do carro. Mesmo no trânsito.  Sair do carro talvez apenas para dar uma olhada na sua beleza, mas logo, procurar alguns quilômetros de pista para ser devorado. Se olhando por fotos e lendo os dados ela me instigava, agora a M6 Gran Coupé deixou uma marca forte no meu pensamento. Um carro que reúne todo requinte e esportividade da BMW, mas vai além com um design imponente e sensações incríveis ao volante. Definitivamente um dos desejos de consumo automobilísticos de mais alto nível hoje em dia!

Até a próxima acelerada, onde falarei da lenda M3!

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6 comentários sobre “André ao Volante – Introdução e BMW M6 (F06).

  1. André Vortec disse:

    Muito bons os textos xará !! Parabéns pelas experiências e também pela iniciativa de compartilhar conosco.

    Vida longa ao blog, e ache tempo ai pra escrever mais … Tem carros esperando seu depoimento.

    Abç.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Maria Cecília disse:

    Parabéns André!!!!!

    Adorei o blog e saber como começou sua experiência com carros desde tão molequinho!! Hahahahahahaha muito bom mesmo!!!! Você realmente ama e respira gasolina! Boa sorte no blog!!!!!!
    Grande abraço de sua amiga Maria Cecília!!!!!

    Curtido por 1 pessoa

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